Artissal...







Ong Artissal - Fabrica e venda de produtos artesanais da Guiné-Bissau
Linhas, cores, fios que se confundem numa ordem conhecida, estudada, praticada de geraçao em geraçao... Valorizam o produto local e praticam comercio justo. Duas etnias, duas pequenas fabricas, uma loja na capital, alguma exportaçao... Fazem panos e a partir dai tudo e possivel: bolsas, conjuntos para a casa, adereços, roupa, malas... Um dos trabalhos mais bonitos que conheci ate ao momento. Com uma raiz forte... um tronco seguro... e folhas que se renovam e continuam a crescer... Como os sonhos.

Investigar...

Parque infantil da escola SOS children em Bissau


Espaço livre para as crianças...

Sala de aula do ensino pré-escolar

Materiais didacticos numa sala de aula

Entrada para a escola de ensino pré-escolar

Depois do inicio das aulas em Bissora, na escola da ADPP, fui, juntamente com a Margherita conhecer outras escolas primarias no pais. Entre a capital Bissau, Bafata, Gabu e Quinhamel deparamo-nos com realidades distintas om a qual lidamos diariamente. Na sua maioria, as outras escolas tem mais meios, mais materiais, mais espaço e melhores condiçoes que a nossa escola. E provavelmente os recursos economicos disponiveis sao semelhantes... Questao de gestao, organizaçao?... Voltamos com novas ideias mas ao mesmo tempo confusas... No fim de contas se o homem quer, a obra nasce... E possivel fazer melhor, mas para isso e preciso que todos remem para o mesmo lado, seguindo uma filosofia comum... Na ADPP nem sempre é assim... Aprender observando, compreender aceitando... Força e paciencia... Liçoes eternas na terra quente!

Aulas cunsa...

Sala para a 1a e 2a classe


Teresa com os "alunos" da pré-escola


Descobrindo as novidades

E o tao esperado dia chegou! A 5 de Outubro começaram as aulas na escola da ADPP - Ajuda às Crinças. A expectativa era mutua... Eles por verem o que ha de novo, eu por ver a sua reacçao e conhece-los. Timidos, energicos, entrando a correr ou a caminhar calmamente, foram chegando. Apropriaram-se de um espaço que lhes pertence. Por dever e direito. Eu observava de sorriso enternecido... Pelo brilho unico que tem, pela simplicidade e ingenuidade que lhes ilumina os passos. Cantam, brincam, rasgam papeis e lutam... Admiram-se com as salas de aula pintadas, com o baloiço arranjado, com os bancos de cimento... Primeiras impressoes genuinas... Assim foi o primeiro dia... Venham mais!

Bintà Bai...

@Ana


@Ana

@Ana

@Ana

@Ana

Vejo tanto na luz da tarde.
Naquela hora que só eu sei.
Que só para mim existem certos reflexos.
Neles sinto como te moves, como és brilho aquoso nas nervuras das folhas, como segues livre pelos troncos, renascendo entre a seiva.
Se um dia esta luz crescer até ao céu teremos nuvens como cama...

Caminhar caminhar...

Um instante entre os 36 km
Os grandes Baobas
Sentir...

Outras companhias em direcçao oposta

Calor africano


Bissora - Olossato: 16km
Olossato - Bissora: 16km
Ando. Pelos caminhos de areia sem fim procuro descobrir as palavras que sei que tenho em mim. Ao longo dos campos reparo na vida que vai e vem levada pelo sol, pela abstinencia silenciosa de quem deixa a sua força entregue à terra.
Os meus pes nus, queimados pela ansia do ir. Gosto do tempo parado na esteira. Os homens conversam à sombra. As mulheres tecem o cabelo em gestos suaves. Viajam as moscas numa pressa suspeita. Talvez hoje se adormeçam as angustias que habitualmente se levam entre as cabaças.
Chego a casa. Fraquejo nas pernas. Tremem as minhas maos. Consegui...

Farim...

Deitada na estrada...


A grande carrinha dos 4 pneus furados

A dona do Djodji

Na esteira...

A casa da avo do Djodji

A travessia no rio Cacheu

No dia 24 deste mes comemorou-se o dia da independencia da Guine-Bissau. Nada melhor para comemorar do que ir dar um passeio! Rumo a nordeste em direcçao a Farim. para la chegar desvio ate Mansoa e Mansaba. Saimos de casa as 5h30, ainda o sol dormia. A nossa espera um camiao que nos levaria ate Mansoa, onde era dia de mercado. Coube-nos o lugar atras do condutor, naquela que é habitualmente a sua cama. Por volta das 6H30 seguimos viagem. Talvez a pior estrada que percorri até agora... Em areia e com buracos em todo o trajecto. Uma distancia de meia hora que se fez em 1H30. Viajar por estes lados é diferente...
Pequeno-almoço em Mansoa. Ao lado de um posto de Nescafé, pao para dois, futi ( arroz com legumes e oleo de palma ) para outro. Depois de uma hora de espera a ver a feira a crescer conseguimos boleia para Farim. Mais 2h de estrada.
Farim: terra quente colonizada pelos nossos avos e com principios humildes de organizaçao urbana. Mais limpa que Bissora. Djodji cumprimentando os amigos. Eu descobrindo um outro local, novas pessoas, os mesmos habitos. A meio da vila um desvio em direcçao a casa da dona ( avo ) do Djodji. De etnia Fula vive numa pequena casa redonda com duas portas e um unico corredor. Simplicidade e harmonia. Oferecem-nos a esteira para descansar à sombra da arvore. As crianças vaoo chegando timidamente. Conversmos e conhecemo-nos.
Passa o tempo e a partida impera de novo. Na paragem o condutor ambicioso faz-nos pagar bilhete ate Bissau, embora a nossa saida fosse em Mansoa. Aceitamos resignados. A caarinha leva 20 e poucas pessoas. Justiça divina ou estranha coincidencia: um pneu rebenta. Troca e segue-se em frente. No mesmo lado o pneu viria a rebentar mais tres vezes...
Na ultima delas estavamos algures entre Nhacra e Bissau, sem luz, sem agua e com pouca comida. Deitamo-nos no alcatrao esperando um milagre. Rimos enquanto as mulheres Balanta passavam alegres e alcoolizadas depois de terem ido pescar. A palavra aventura ganhava outra dimensao...
Dedo esticado e a boleia la chegou. O carro de 7 lugares levou 9 pessoas ate Bissau. As 22h terminava a nossa jornada com uma sandes de ovo cozido e um santo descanso!

Cume...

Arroz com caldo branco - peixe, oleo e cebola


A preparar legumes...

Legumes, manga e milho

Almoço - salada de pepino com moringa, ovo, cebola e limao


Guisado de carne de vaca com batatas

A culinaria guineense rege-se de acordo com ciclo de culturas vegetais e com a criaçao de animais: porco, vaca, cabra e galinha. A pesca também tem um papel relevante sendo a sardinha, a corvina e as cracas ( pequenos caranguejos ) o que se come mais. Ja passou o tempo do caju e do tomate, agora a cenoura e o repolho sao escassos e ha em abundancia mancarra (amendoim), milho e mandioca. A base alimentar de todo o povo é a bianda - arroz. Apesar de ser o cereal mais cultivado a maioria daquele que se come e se comercializa é importado da China e do Vietname. A qualquer altura do dia se pode comer arroz por aqui. Eu vou experimentando os sabores... Com jeitinho preparando um ou outro prato... Conhecendo os cheiros, as texturas, imaginando...